O Lobo e o Seu Habitat

O LOBO IBÉRICO

   

O lobo (Canis lupus, Linnaeus 1758) é um mamífero da família dos canídeos. Carnívoro de grande porte, apenas ultrapassado na Europa pelo urso pardo, é o canídeo selvagem de maiores dimensões da atualidade. O lobo ibérico (Canis lupus signatus, Cabrera 1907) é a subespécie endémica da Península Ibérica. Em Portugal possui o estatuto de conservação de espécie “Em Perigo” (EN) sendo considerada prioritária.

 

O lobo ibérico caracteriza-se por ser mais pequeno que o lobo presente no resto da Europa e pela pelagem mais amarelo-acastanhada. A mudança para pelagem de verão ocorre no início da primavera, com a redução da densidade e tamanho do pelo e em outubro dá-se início à mudança para a pelagem de inverno. A pelagem de inverno fica mais densa e comprida, conferindo ao lobo uma maior resistência às condições meteorológicas do outono e inverno e uma aparência mais corpulenta.

 

No dorso apresenta uma lista negra que se estende do garrote à cauda. Nos seus membros dianteiros apresenta uma lista negra bem definida. Pesando em adulto entre os 25 e 40 kg, o lobo ibérico caracteriza-se também por membros fortes e robustos, uma cabeça volumosa, com orelhas triangulares e rígidas.

 

A época de reprodução inicia-se no início da primavera e o nascimento das crias ocorre em maio/junho.

 

No verão é atingido o número máximo de indivíduos por alcateia. O inverno representa um desafio para a sobrevivência do lobo ibérico, caracterizado por um número mínimo de indivíduos por alcateia. 

 

O Lobo tem uma grande capacidade de adaptação, surgindo em praticamente todos os habitats do hemisfério Norte. Desde os ambientes mais remotos à proximidade com zonas urbanas, o lobo está presente nos mais variados tipos de habitat. Trata-se de um animal generalista na seleção de habitat, dependendo essencialmente da disponibilidade de alimento e atitudes humanas.

 

As regiões montanhosas do Norte e Centro norte de Portugal são o reduto do Lobo Ibérico em Portugal. As baixas densidades populacionais nestas regiões, associada a alguma disponibilidade alimentar, proporcionam condições para a presença deste carnívoro.

  

Apesar das regiões montanhosas não apresentarem grandes altitudes em Portugal, as condições são difíceis e marcadas pela redução da disponibilidade de alimento.

 

O comportamento alimentar do lobo ibérico é generalista, estando os ungulados na base da sua dieta. 

 

Os ungulados constituem as presas silvestres preferenciais do lobo. Em Portugal, o corço (Capreolus capreolus), o javali (Sus scrofa) e o veado (Cervus elaphus) são as três prinicipais espécies de ungulados que fazem parte da dieta do lobo-ibérico e a sua relevância depende de região para região. A cabra-montês (Capra pyrenaica), presente nas serras da Peneda-Gerês, está em gradual expansão podendo vir a tornar-se no futuro mais uma presa silvestre relevante para o lobo.

 

O corço, assumido por muitos investigadores como a principal presa natural de lobo ibérico, ocorre essencialmente nas regiões Norte e Centro de Portugal, sobrepondo-se amplamente à atual área de distribuição de lobo.

 

O javali é uma espécie que ocorre por todo o território continental, com densidades muito variáveis, consoante o tipo de habitat e a gestão cinegética praticada. Constitui uma presa natural relevante para o lobo, pela sua presença em toda a área de distribuição deste carnívoro.

 

O veado é o maior cervídeo da fauna nacional. As suas populações naturais em Portugal coincidem, em parte, com a atual distribuição do lobo ibérico, com especial destaque no distrito de Bragança.

 

O lobo ibérico possui um comportamento social característico, marcado pela formação de grupos bastante hierarquizados - as alcateias. Estas podem variar no seu número de elementos consoante, entre outras variáveis, a quantidade e dimensão das presas que ocorrem no seu território. Também o espaço utilizado por uma alcateia varia em função da disponibilidade e abundância de presas.

 

Em Portugal, os territórios do lobo ibérico podem variar entre 50 e 300 Km2. Devido ao seu comportamento esquivo e de atividade principalmente noturna, os lobos são de difícil visualização no seu habitat natural. 

  

 

DISTRIBUIÇÃO EM PORTUGAL

  

No início do século XX o lobo ibérico era relativamente comum e ocupava diversos territórios de norte a sul de Portugal. Atualmente este canídeo tem uma distribuição muito mais reduzida (aproximadamente 20 400 km2) que compreende apenas a região a norte do rio Douro e uma área mais reduzida a sul deste rio, região centro norte, dando origem a duas sub-populações.

A sub-população a Norte do rio Douro tem uma área de presença de cerca de 13.600 km2 e está em contacto com a população espanhola. De acordo com o Censo Nacional do Lobo 2002/03 esta sub-população conta com 54 alcateias. 

 

A sub-população a sul do rio Douro tem uma área mais restrita (6.800 km2) com um aparente isolamento da restante população. De acordo com o Censo Nacional do Lobo 2002/03 esta sub-população não possui mais de 9 alcateias.

 

De uma forma genérica, a espécie ocorre em áreas montanhosas destas regiões refletindo uma menor densidade populacional humana e atividade agrícola pouco intensiva nestes locais. 

 

 

RELAÇÃO HOMEM-LOBO

 

O Homem possui um papel determinante na distribuição, ecologia e comportamento do lobo. No entanto, o inverso é igualmente válido. Desde os primeiros hominídeos até aos dias de hoje existem diversos registos históricos e culturais dessa interação. Pinturas rupestres, lendas, fábulas, representações religiosas, os cães de gado, os fojos, são exemplos claros da influência que este animal tem no Homem.

 

A predação sobre animais domésticos (bovinos, equinos, ovinos e caprinos) é um dos maiores problemas na conservação deste carnívoro, principalmente em áreas  com reduzidas ou ausentes populações de presas silvestres. Existem várias medidas de proteção dos animais domésticos de ataques do lobo, como sejam os cães de gado, o pastoreio acompanhado e formas adequadas de confinamento dos animais domésticos que se revelam eficazes na minimização do impacto da predação.

 

Atualmente, a conservação desta espécie tende a ser cada vez mais determinada não só por aspectos biológicos mas principalmente por questões económicas, políticas e ideológicas. Uma informação correta e objetiva sobre o lobo é muito importante de modo a assegurar uma coexistência sustentável com este predador.
 

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Duarte Cadete
"Lobos em Portugal", Paulo Caetano e Joaquim Pedro, Editora Má Criação

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